Gestação de Substituição

mao barriga

A gestação de substituição, também conhecida popularmente por ‘barriga de aluguel’, é a cessão do útero para a gestação de um bebê de outra mulher e sem a participação genética daquela que carrega o feto. Para tal, é necessária a realização de fertilização in vitro com os gametas do casal em que a mulher que não pode gestar e a transferência dos embriões resultantes para a mulher hospedeira (doadora do útero).

Para tornar viável a gestação de substituição ao mesmo tempo em que a mãe biológica sofre a estimulação ovariana, a doadora do útero passa pelo preparo endometrial de modo a ter um organismo receptivo aos embriões no período adequado para a transferência. Como em outros procedimentos de fertilização in vitro, as chances de gravidez dependem da idade da mulher produtora dos óvulos.

No Brasil, o procedimento está normatizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) segundo a resolução CFM n° 2.121/2015 que trata das normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida e no seu item VII trata do assunto conforme a seguinte orientação:

VII – SOBRE A GESTAÇÃO DE SUBSTITUIÇÃO (DOAÇÃO TEMPORÁRIA DO ÚTERO)

As clínicas, centros ou serviços de reprodução assistida podem usar técnicas de RA para criarem a situação identificada como gestação de substituição, desde que exista um problema médico que impeça ou contraindique a gestação na doadora genética ou em caso de união homoafetiva.

  1. As doadoras temporárias do útero devem pertencer à família de um dos parceiros em parentesco consanguíneo até o quarto grau (primeiro grau – mãe; segundo grau – irmã/avó; terceiro grau – tia; quarto grau – prima). Demais casos estão sujeitos à autorização do Conselho Regional de Medicina.
  2.  A doação temporária do útero não poderá ter caráter lucrativo ou comercial.

Resolução CFM nº 2.121/2015  – Aprovada em Sessão Plenária em 16/07/2015 – Publicada D.O.U. de 24/09/2015 – Seção I Pág. 117

Tanto o casal quanto a doadora do útero recebem um informativo das etapas e procedimentos do tratamento. Antes de iniciá-lo, as três partes envolvidas passam por uma avaliação psicológica de modo a se verificar a estabilidade emocional para enfrentar as etapas do tratamento, assim como o período da gestação e a chegada da criança nessas circunstâncias especiais.

No Brasil, os conceitos legais consideram mãe aquela mulher que deu à luz, indicando que a filiação resulta do nascimento, portanto, os ajustes de ordem legal para o registro da criança são baseados em um acordo de cavalheiros entre as partes envolvidas. Cabe ao Poder Judiciário a análise da situação e determinação legal quanto ao estado de filiação caso haja disputa futura entre a mãe genética/social e a mulher doadora temporária do útero, sendo preponderante o bem estar e conveniência da criança.

Veja a entrevista do Dr. Paulo Gallo, diretor médico do Vida, ao programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, sobre um caso muito interessante de gestação de substituição: