Aborto de Repetição

O aborto de repetição  acomete cerca de 0,5% dos casais que enfrentam dificuldades para engravidar. O aborto ocasional é um evento relativamente comum que pode ocorrer por diversos motivos, porém se ocorre mais de duas vezes seguidas, de acordo a ASRM (Sociedade Americana da Medicina da Reprodução).  já pode ser considerado aborto de repetição e, neste caso, deve-se buscar um médico especialista para investigar quais as possíveis causas.

A chance de aborto espontâneo antes das 12 semanas de gestação é de 15 a 20%. Na maioria dos casos, os abortos são causados devido às alterações cromossômicas, que podem ocorrer durante o processo de desenvolvimento embrionário ou devido à idade materna avançada. Porém, quando o evento ocorre pela segunda vez consecutiva deve ser investigado de forma efetiva.

Possíveis causas

Algumas causas podem ser diagnosticadas e outras podem ser causas difíceis de comprovar, principalmente durante o período gestacional, em que a coagulabilidade fica alterada, podendo também alterar os exames.

As causas mais comuns entre os abortos de repetição e possíveis tratamentos são:

  • Alteração cromossômica

Quando pelo menos um dos cônjuges possui alguma alteração de cariótipo, podem originar embriões alterados. Sugere-se uma consulta com um geneticista pois tal defeito pode variar muito com o tipo de alteração no cariótipo dos pais. Na maior parte das vezes, a fertilização in vitro com análise genética do embrião pode aumentar a chance de sucesso.

  • Doenças autoimunes

Quando o organismo da mãe rejeita o feto por meio do sistema imunológico, impedindo o avanço da gestação.

Uma das principais doenças autoimunes é a SAF – Síndrome do Anticorpo antifosfolípide, presente em até 20% dos casos. Trata-se de uma patologia que aumenta o risco de trombose dos vasos placentários, podendo levar a abortos, partos prematuros e morte intrauterina.

  • Alterações uterinas

Quando a mulher apresenta miomas, pólipos e processos inflamatórios no útero, impedindo que o embrião se fixe, pode resultar em abortos.

As alterações podem ser congênitas como malformações mullerinanas (útero septado, bicorno, unicorno) ou ainda adquiridas, como sinéquias uterinas (devido a múltiplas curetagens) ou pólipos e mioma submucoso, que comprometem o endométrio – o que é o local de implantação embrionária.

  • Trombofilias hereditárias

Algumas mutações hereditárias em substâncias relacionadas ao processo da coagulação tais como:  proteína S, proteína C, fator V de Leiden, gene da protrombina e antitrombina podem predispor a um aumento de risco de trombose.  De acordo com o histórico da paciente de trombose anterior, deve ser tratada com heparina de baixo peso molecular.

  • Doenças crônicas

Diabetes mal controlada, doenças da tireoide e da hipófise entre outras, podem levar a abortos de repetição, assim como hábitos como tabagismo, etilismo ou outras condições como obesidade. Um estilo de vida saudável e tratamento da doença de base aumentam as chances de sucesso de uma gestação.

  • Células NK

Controverso na investigação de aborto habitual. Mas, quando presente no sangue periférico acima de 12%, pode ser tratado com imunoglobulina endovenosa, dependendo do histórico da paciente. Porém ainda é considerado experimental.

  • Qualidade espermática

O aumento da fragmentação de DNA espermático pode aumentar a chance de perda gestacional. Um exame específico e tratamento adequado com antioxidantes e mudança de estilo de vida podem ser úteis. A consulta com andrologista é importante para detectar essas alterações.

Tratamento do aborto de repetição

Os tratamentos para o aborto de repetição variam conforme a causa do problema, e por isso é importante ser investigada pelo especialista. Independente da causa, é importante que o casal mantenha hábitos saudáveis e uma dieta balanceada, para obter mais sucesso na gestação.

 

 

 

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