Preservação da Fertilidade para Pacientes com Câncer

Já ouviu falar em preservação da fertilidade para pacientes com câncer? Aproveitando o gancho do Dia Mundial do Combate ao Câncer, celebrado no último domingo dia 08 de Abril, vamos falar um pouco sobre como devemos pensar a vida desses pacientes após o tratamento e a cura da doença, que felizmente tem sido cada vez mais frequente em nosso meio. Que atitudes podemos tomar para que, após o susto, esses pacientes possam retomar suas vidas, mantendo seus planos, projetos e sonhos?

Ao receber o diagnóstico de câncer, muitas pessoas acham que o plano de ser mãe ou pai terá de ser esquecido. A preocupação faz sentido. Alguns quimioterápicos podem causar infertilidade e a radioterapia, dependendo de onde for aplicada, pode também afetar a função ovariana. Nas mulheres, a infertilidade pós tratamento pode ocorrer pela remoção dos órgãos reprodutivos ou por ação de drogas citotóxicas e radioterapia sobre a função ovariana, levando a falência ovariana, menopausa precoce ou outros problemas relacionados à reprodução. Para os homens, os tratamentos podem levar a danos semelhantes nos testículos, interferindo na produção de espermatozoides e secreção de testosterona. O grau e a persistência desse dano dependem da dose, do local primário de irradiação e da idade do paciente.

Atualmente, os tratamentos para o câncer trazem um aumento considerável da expectativa e da qualidade de vida. Com isso, na grande maioria dos casos, esses pacientes podem retomar suas vidas e voltar a sonhar e fazer planos futuros. No entanto, os mesmos tratamentos, que incluem a quimioterapia e a radioterapia, ainda têm um efeito deletério sobre o aparelho reprodutor tanto do homem quanto da mulher, podendo causar infertilidade transitória ou permanente. Por esse motivo, existe uma preocupação cada vez maior em se orientar a preservação da fertilidade antes de se iniciar um tratamento contra o câncer.

A forma que temos de ajudar os pacientes que passarão por algum tipo de tratamento contra o câncer é através do congelamento de células ou de tecidos. O procedimento deve ser realizado, preferencialmente, antes do paciente dar início ao tratamento. Existem particularidades para cada caso, mas, de forma simplificada, podemos dividir os procedimentos assim:

Homens adultos

  • Congelamento do sêmen em vários lotes para ser usado no futuro em inseminação intrauterina ou fertilização in vitro. Após a recuperação do tratamento para o câncer, é feito o exame para avaliar se houve realmente um comprometimento da produção ou da qualidade dos espermatozoides e considerar se haverá necessidade de manter o sêmen estocado.

Mulheres adultas

  • Congelamento de óvulos, que são retirados após estimulação dos ovários com medicamentos.
  • Congelamento de embriões, caso a mulher já esteja casada. Os embriões podem ser descongelados e transferidos para o útero da mulher após o tratamento do câncer, quando o casal estiver preparado.
  • Congelamento de tecido ovariano (ainda considerada uma técnica experimental, porém em alguns casos é a única alternativa)

Crianças do sexo masculino

  • Ainda não existem alternativas para esse grupo de pacientes. No entanto, se a fertilidade desses meninos fica comprometida ao se tornarem adultos, é possível, na grande maioria dos casos, obter-se uma quantidade mínima de espermatozoides do próprio sêmen ou dos testículos para a realização de fertilização in vitro com ICSI.

Crianças do sexo feminino

  • Congelamento de tecido ovariano (ainda considerada uma técnica experimental, porém em meninas antes da puberdade é a única alternativa)

 

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